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Diretor Executivo do GC&VB participa de entrevista

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Posted 12 de April de 2015 by Ton Freitas in Destaque
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O Diretor Executivo do Goiânia Convention & Visitors Bureau, Alexandre Resende, concedeu uma entrevista ao jornal Tribuna do Planalto. Abaixo você confere na íntegra toda a reportagem.

Goiânia nunca foi considerada uma cidade tipicamente turística. Mas, a demanda de pessoas que visitam Goiânia, seja para consumo, atendimento médico, negócios, ou apenas como passagem para cidades do interior goiano, tem aumentado bastante. Só não cresceu mais, devido à falta de infraestrutura e investimentos no setor, que movimenta a economia da capital e do Estado, também. Essa é a opinião de Alexandre Resende, superintendente executivo do Goiânia Convention & Visitors Bureau, uma fundação sem fins lucrativos que funciona como mediador entre o trade de turismo e demais instâncias sociais. Para entender mais sobre o andamento do setor no município e no estado e também sobre assuntos relevantes e polêmicos ligados ao turismo, o Tribuna conversou com ele. Alexandre Resende possui formação em Publicidade e Marketing, com MBA em Gestão de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Confira o bate papo.

Poderia falar mais sobre a formação e atuação do Goiânia Convention & Visitors Bureau?

É uma entidade que atua com a representatividade do trade turístico. O que eu chamo de trade turístico são todas as empresas que compõem os segmentos que atuam direta ou indiretamente no turismo. Seriam elas: empresas aéreas, taxis, hotelaria, bares, restaurantes, empresas que organizam eventos, agências de viagem, etc. São mais de 50 segmentos que estão aqui dentro. São todas as empresas que veem potencialidade de negócios dentro do turismo. Os nossos objetivos são promover e divulgar a cidade. Como ação principal desse objetivo, nós temos a captação de eventos.

O que você chama de turismo? Há mais de uma modalidade?

Eu chamo de turismo simplesmente o fato da pessoa deslocar-se de sua residência e pernoitar em outra cidade. Em Goiânia, trabalhamos com diversos tipos de turismo: negócios, consumo, saúde, lazer, passagem, religioso, eventos. Então, o turismo de consumo é aquele das pessoas que vem fazer compras. Não só na região da 44, das confecções, mas também do agribusiness, dos shoppings centers, de todo o aparato comercial da cidade… Concessionárias. Ainda tem essa cultura do pessoal do interior e de outros estados virem fazer compras em Goiânia, que é considerada um polo comercial regional, e isso remete a sua história na década de 1960, com a construção de Brasília. Era aqui que o trem chegava, então era aqui que tudo acontecia. Então, todo esse centro-norte do país tem Goiânia como ponto central e referência, não só no setor comercial, mas também na saúde, e aí partimos para o segundo tipo de turismo que eu pontuei. As pessoas vem fazer tratamentos médicos em Goiânia, nas clínicas e hospitais e daí surge a hotelaria hospitalar, as pessoas vem fazer tratamento e ficam aqui. Os próprios hotéis recebem muitas pessoas, os flats. Aí temos o turismo pelo turismo. Pessoas que vem conhecer Goiânia, realmente. Pessoas que querem conhecer os atrativos da cidade, seja pela balada, seja pelo Art Déco, seja em razão de visita a parentes. Enfim, tem vários motivos que atraem à cidade. O turismo de passagem é de pessoas que descem no aeroporto de Goiânia, que é o maior do estado, o único que opera regularmente comercial, com voos diários. São pessoas que descem em Goiânia e daqui se deslocam para outros municípios, como Rio Verde, Caldas Novas, Pirenópolis, Cidade de Goiás, Abadiânia, esta que é o maior destino internacional do Estado de Goiás hoje, pela presença do João de Deus, que é outro tipo de turismo, que é o religioso. Então, temos Abadiânia, Trindade, que é muito forte. Tem muitas pessoas que pernoitam em Goiânia, para depois se deslocar para essas cidades. Já o turismo de eventos é um ponto forte do Convention porque, com sua representatividade, a organização tenta propiciar negócios para os empresários locais.

Quais são os principais tipos de eventos com os quais o Convention trabalha?

O Convention está aberto a qualquer tipo de evento. É uma entidade sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada. Nós enquanto entidade, enquanto terceiro setor, o que buscamos é promover essa ocupação da cidade de forma geral. O foco principal é no turismo nos eventos científicos, médicos, clínicos. Congressos nas áreas de saúde, enfim. Essa atuação é bem ampla.

A entidade atua, também, na realização de eventos, ou a função está limitada a atrair realizadores?

O Convention é uma atividade meio e não fim. O que nós fazemos é captar esse evento. Geralmente, nós temos um parceiro junto, seja uma empresa, uma entidade local, uma empresa organizadora, ou uma associação, uma sociedade dos setores de agronegócio. Tem vários. O que nós fazemos é atrair, é captar. Uma vez captado, esse evento é colocado dentro do Convention e então as empresas que atuam, que são mantenedoras da entidade, apresentam seus potenciais, especialidades, e fecham seus negócios.

O que o Convention vê em Goiânia, hoje, que precisaria ser mudado, porque já atrapalha ou pode vir a atrapalhar o setor?

Primeiro, acho que tem que haver um engajamento maior do Poder Público com a iniciativa privada, e em todas as esferas. A partir dessa parceria, dessa atuação em conjunto, identificar o que precisa ser feito, realmente, em termos substancias, em termos imediatos ou a longo prazo. Agora, o que precisa ser feito? Um já está sendo realizado que é a obra do aeroporto, que é imprescindível para a recepção de pessoas na cidade, a ampliação do aeroporto é vital para a economia da cidade nesse sentido. Um a outra questão é o aparelhamento e a identificação dos pontos turísticos da cidade, seja o Estádio Serra Dourada, seja o Centro Olímpico, que está sendo construído agora, seja novos Centros de Convenções, a identificação e a sinalização turística, também é de vital importância. Buscar reequipar alguns equipamentos que estão meio que abandonados, como museus. Tem um público, sim, para isso. E, sobretudo, a questão do Art Déco no Centro da cidade, que foi totalmente esquecida pelas últimas gestões municipais. A gente entende o que é o comércio, as fachadas que esconderam o Art Déco. Goiânia, hoje, ainda é o 2º maior acervo do estilo arquitetônico no mundo, só perdendo para a cidade de Miami, Flórida/EUA. Existem muitas obras que estão escondidas ali atrás daquelas fachadas e que poderiam até ser um atrativo. Ou até mesmo para a revitalização do Centro que sempre é discutida, mas nunca é concretizada.

Falando no aeroporto, a obra está em processo de finalização, de acordo com a Prefeitura. Mas, a Infraero já informou que somente em abril do ano que vem, o terminal passará a funcionar de forma integral. Quais os prejuízos que isso já causou ao setor e quais benefícios trará quando terminado?

Olha, não é nem o que vai trazer de melhorias, mas o que vai amenizar os prejuízos que já tem causado desde muito tempo. Hoje, o aeroporto de Goiânia, além de ser obsoleto, não atende à demanda, que é crescente. Não atende nem a demanda da própria cidade, ainda mais quando temos grande eventos na capital. Como é uma obra de 20 anos, que já vem se arrastando há 15, torna-se crucial para a cidade. Uma notícia boa que tivemos da Infraero é que o atual terminal, que seria descontinuado quando o novo fosse inaugurado, continuará a ser utilizado para voos comerciais, dobrando a capacidade do aeroporto, uma vez que o projeto de construção do novo terminal já nasceu defasada.

Em termos da demanda não vejo Goiânia como uma cidade turística típica, que possui sazonalidade, ligada ao período de férias escolares. Há algum tipo de distribuição da demanda de turistas na cidade?

Olha, Goiânia é uma cidade que passa por esse impacto de sazonalidade, porém no sentido inverso. Geralmente, a cidade se esvazia no período de férias escolares, sobretudo nos meses de julho, que nós temos a temporada do Rio Araguaia, a praia dos goianos, e dezembro e janeiro, que a cidade fica realmente bem vazia. E quem sofre com isso é propriamente o setor hoteleiro. Os demais, também, mas o hoteleiro sofre um impacto maior. Essa sazonalidade existe, tentamos amenizar a captação de eventos para esses períodos, o que não é tão fácil, mas temos conseguido alguns. Esse ano, inclusive, teremos um grande evento aqui no mês de julho, então vamos buscar oportunidades com essa baixa ocupação da hotelaria para negociações melhores de tarifas. Uma outra questão é que a hotelaria de Goiânia tem sua melhor ocupação realizada de segunda a sexta-feira. Durante os finais de semana, a tarifa é até mais baixa. A gente percebe que a ocupação é ou do público que vem do interior do Estado, Brasília, ou triângulo mineiro, para passear na cidade, ou do público da própria cidade que vai pernoitar e passar o final de semana no hotel como lazer.

A cidade tem estrutura para receber, hospedar e alimentar toda a demanda de turistas atual? Porque há pouco tivemos até algumas inaugurações. As mais recentes são do Soft Inn Mega Moda e o Plaza Inn Breeze Aeroporto.

É bom que se saliente que esse investimento é privado. São empresas que vieram aqui, fizeram pesquisas, identificaram uma demanda latente e estão investindo na cidade para aumentar a capacidade hoteleira da mesma. Com certeza, são empresas que, como trabalham investimento privado e planejamento, sabem o que estão fazendo. Elas têm projetos de médio, longo e curto prazo, e o planejamento de cada uma vai definir isso. Agora, a situação atual da cidade não é tão interessante, quanto outras cidades que investiram nisso, principalmente com o advento da Copa do Mundo FIFA 2014, que se qualificaram e requalificaram na questão da capacidade hoteleira. Então, hoje Goiânia perde um pouco nesse quesito, em função da oferta de mais leitos, de mais unidades hoteleiras (UHs), do que outras cidades, como aquelas que foram sede da Copa. É claro que é sempre bem-vindo um novo hotel, uma nova bandeira que chega na cidade para diversificar a hotelaria local.

Isso indica melhoria?

A gente percebe que tem havido uma melhoria na qualidade das instalações. E esse reaparelhamento de melhoria de hotéis de categoria superior e executiva é sempre bem-vindo na cidade. É lógico, se for um trabalho feito com responsabilidade e planejamento, porque todo excesso de oferta gera, também, ociosidade. O empresário não quer isso. O que a gente espera é que, ao mesmo tempo que estão chegando novas UHs, que se invista cada vez mais nesse processo de captação de eventos. Uma vez que existe a oferta, a gente tem que tentar acompanhar provendo a demanda. E o trabalho do Convention é justamente nesse sentido de não permitir que a cidade fique ociosa na ocupação hoteleira. E é aí que entra o trabalho do mantenedor. Hoje, são mais de 150 associados, que fazem contribuições mensais. Muito mais do que as captações, o Convention também atua como representante do trade junto às esferas municipal, estadual e federal. Somos parceiros de todos. A gente entende que o turismo é uma mola propulsora da economia, e pode ser uma das alternativas para superar esses momentos não tão interessantes economicamente, pelos quais estamos passando agora.

Tivemos no ano passado, e acredito que ainda se estenda até hoje, aquela polêmica sobre a extinção da Secretaria Municipal de Turismo, que segundo o posicionamento do próprio Convention, não representaria grande impacto orçamentário, já que representa cerca de 0,1% do orçamento do município. Hoje, você diria, então, que o setor de turismo vive e sobrevive devido ao investimento da iniciativa privada? Qual a participação do Poder Público?

Basicamente. Há uma reforma sendo aprovada esses dias na Câmara Municipal. A gente sabe da extinção da secretaria, mas também da criação de uma Agência de Turismo e Lazer. A importância de existir um órgão municipal de turismo é vital, sobretudo na representatividade junto ao Governo do Estado e à União, para a solicitação de verbas, receita que pode ser revertida para a requalificação do turismo na cidade, seja para placas de sinalização turística, ou melhoria de alguns equipamentos que existem na cidade. Dentro dos conceitos do Ministério do Turismo e da Embratur (autarquia especial do Ministério do Turismo responsável pela execução da Política Nacional de Turismo), Goiânia hoje perdeu muito na qualificação e na promoção e marketing da cidade. Esses dados são resultado de uma análise feita pela FGV, em parceria com o Ministério, e foram divulgados em novembro do ano passado. O que a gente tem tentado agora é fazer uma melhoria.

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Sex, 10 de Abril de 2015 21:18
Por: Juliana Marton Editoria de Comunidades


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Ton Freitas


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